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O mecanismo de projeção funciona como um espelho, cujo reflexo é o outro. Ao vermos os defeitos dos outros e se eles nos incomodam a ponto de tirar a nossa paz, na verdade estamos vendo os nossos próprios defeitos. Este mecanismo de auto-regulação interna passa por estágios que vai fortalecendo o nosso ego, até que estejamos estruturados para lidar com nossas realidades internas, pois sem este recurso jamais seríamos capazes de reconhecer nossos próprios defeitos. E isto vale tanto para os defeitos (sombra negativa), como também para as nossas qualidades (sombra positiva) que estão no nível inconsciente e que desta maneira tomamos consciência desses defeitos e qualidades em nós, criando assim uma empatia e aceitação de nós mesmos e para com os outros.

Mas afinal qual o objetivo de tudo isso? A sombra negativa nos faz termos consciências de nossos defeitos como sendo nossos, e não projetarmos mais nos outros, levando-nos a reconhecer a sua ação na nossa vida e equilibrar a nossa psique. Na sombra positiva, vou citar uma fala de Policastro Meira: “Precisamos descobrir dentro de nós as qualidades e potenciais, despertá-las e colocá-las em ação”. Portanto, eu vejo o bem no outro porque eu também o tenho como patrimônio da minha alma ou como potencial que deve ser desenvolvido.

Esse processo é essencial no encontro de si mesmo. O auto-descobrimento começa com o espelhamento a partir do nosso encontro na convivência com o outro. O outro funciona como uma alavanca para o nosso crescimento. Ou seja, nós só vamos encontrar a nós mesmos a partir dos nossos encontros cotidianos da convivência com os outros. Não desperdice portanto, a oportunidade de aprendizagem na convivência com qualquer pessoa que cruze o seu caminho.

Com a projeção estaremos vendo uma parte nossa na outra pessoa e só vamos conhecer a Deus quando amarmos todas as pessoas, sem necessariamente ser todas as pessoas do planeta e sim aceitar e amar incondicionalmente pelo menos todas as pessoas próximas a nós.