Paz e Luz!
2 mai

ROSINHA MINHA CANOA
As pessoas sempre dizem num momento de dor umas às outras: “Com o tempo tudo passa”. Penso que não é somente o tempo, mas também o amor nos ajudam a cicatrizar as feridas. Se olharmos com amor todos os acontecimentos dolorosos e que de uma forma ou de outra nos ajudaram a crescer, aprenderemos a lição daquela dor. Muitas vezes esse processo demanda um bom tempo. Esse aprendizado deixa um rastro em nossa alma com o sabor de parece que já comi isso? Caso contrário repetiremos a mesma lição, porém vai nos transformando. Na conversa de Zé Orocó com a canoa Rosinha, vemos nesse momento da narração a força do laço de amor entre os dois e o contraste entre o apego de Zé Orocó e o desapego da canoa Rosinha, deixando um exemplo de aceitação dos ciclos da vida, ao perceber que havia chegado o momento de sua partida.
“- Estou velha, Zé Orocó. Velha e pesada…
Não quero ficar como outras canoas… jogadas sobre a areia, servindo de cocho para os animais…é demais de triste.
- Mas Rosinha… como é que vou passar sem você?
- Eu já disse que na aldeia de Santa Isabel, Idearrure quer vender uma canoa igualzinha a mim. Do jeito que você gosta…
Zé Orocó quase engoliu o orvalho dos seus olhos.
- Uma tarde, quando o pôr do sol descendo como a arara vermelha de que tanto você gosta, me leve para a praia branca, me suspenda e sem ninguém ver me queime. Depois se afaste um pouco, porque não quero que você me veja desaparecer. Só o céu e a noite que estarão chegando. E o vento da noite vai levar minhas cinzas para onde ninguém vai saber, para alimentar a terra e fazer novas árvores.
- Pare com isso, Rosinha!
- Você vai-me prometer, promete?
- Prometo, mas eu vou sofrer pra burro.
- Tudo passa.”
(Texto extraído do livro Rosinha minha canoa de José Mauro de Vasconcelos)
Para saber mais (clique aqui)


(Cantinho da Luz)
Esta pombinha viaja de blog em blog, ajude-a a levar a paz ao mundo levando-a para o seu. Pousou no meu no dia 12/09/09.



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